Nossa história

Porquê do nosso nome?

O Herbário Sinningia foi fundado pela Prof. Dra. Andrea Onofre Araújo (atualmente docente da (UFSCar), especialista em Gesneriaceae, em 2014 e logo em 2015 o HUFABC ganhou seu primeiro tipo: a espécie Sinningia minima A.O.Araujo & Chautems. Assim, o nosso nome presta homenagem à nossa história, por ser nosso primeiro tipo, e à nossa fundadora! 

A descoberta dessa espécie ocorreu de forma muito curiosa, com sucessivas troca de gêneros e a posição dela no gênero Sinningia apenas foi possível após estudos integrativos de taxonomia morfológica, molecular e trabalho de campo!

Os primeiros registros desta planta em herbário datam de 1985 (coletores: Secco et al. 510 e Rosa & Silva 4725, depositados no herbário MG). Esses materiais foram identificados como pertencente à família Schrophulariaceae, sendo depois transferida para Gesneriaceae, posicionada no gênero Anetanthus. Apenas no ano de 2009 a espécie foi recoletada (P. L. Viana 4147, BHCB) e fotografias foram enviadas para os especialistas de Gesneriaceae, Alain Chautems (Jardim Botânico de Genebra) e Andréa Onofre de Araujo (UFSCar). Esse material coletado em 2009 foi identificado possivelmente como Goyazia villosa (Gardner) R.A.Howard, uma espécie conhecida apenas pelo material tipo, procedente de Natividade, Tocantins. Várias outras coletas foram feitas até 2013 por outros pesquisadores e os especialistas na família ainda identificavam esses materiais como G. villosa. Em 2014, o local de ocorrência da espécie (Serra de Carajás – Pará) foi visitado pela Andréa.

A observação da planta no seu ambiente natural fez com que a taxonomista Andrea não reconhecesse essa planta como G. villosa, mas provavelmente pertencente ao gênero Sphaerorrhiza (Gesneriaceae) devido principalmente à ausência do sistema subterrâneo do tipo rizoma e presença de pequenos tubérculos. Porém, os frutos eram diferentes daqueles encontrados em Sphaerorrhiza. Para solucionar essa dúvida, foram retiradas amostras de folhas em sílica-gel, sistema subterrâneo para cultivo e a planta toda para herborização. As folhas em sílica-gel foram usadas para fazer o sequenciamento de uma parte do DNA, o que possibilitou a inclusão da planta em uma análise filogenética, com amostras de várias espécies de Gesneriaceae, pelo pesquisador Mathieu Perret (Jardim Botânico de Genebra).

Dessa análise veio uma grande surpresa: a espécie coletada em Carajás desde 1985 e que já havia sido reconhecia em duas famílias e três gêneros diferentes, tratava-se mesmo de uma Gesneriaceae, mas não de Anetanthus, nem de G. villosa, nem de Sphaerorrhiza, mas sim de Sinningia, o maior gênero de Generiaceae no Brasil, o qual não tinha registro para o Estado do Pará até então. A partir de todo o material coletado em campo pela Andréa e aqueles coletados anteriormente, em 2015 a espécie foi descrita como Sinningia minima A.O.Araujo & Chautems, por se tratar da menor espécie do gênero, medindo apenas 2,5cm. [Texto de Andrea Onofre Araújo, UFSCar]

Imagem: Andrea Onofre Araújo

Referência: Araujo AO, Chautems A. 2015. A new species of Sinningia (Gesneriaceae) and additional floristic data from Serra dos Carajás, Pará, Brazil. Phytotaxa 227: 158–166.

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